segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Internet com educação – Riscos jurídicos


Internet com educação – Riscos jurídicos

  1. Cenário Atual:

A internet não é mais novidade, presenciamos um momento de transição, cuja sociedade se torna cada vez mais conectada e as crianças e adolescentes integram uma geração digital, onde o conhecimento tem valor significativo. Com o progresso é normal que pais e educadores busquem novas formas de integração. O fato é que a tecnologia mudou muita coisa em nossas vidas, mas será que estávamos preparados para isso?

Escutamos por diversas vezes chamadinha de nossos pais como: “não fale com estranhos”, “não pegue carona com estranhos” “não aceite bala de estranhos”, mas não escutamos que não devemos pegar carona em comunidades de estranhos” ou não abrir email de estranhos… a verdade é que nossos exemplos devem ser atualizados de acordo com o cenário atual, caso contrário, corremos o risco de não sermos ouvidos.

Falo como advogada, mas acima de tudo como pedagoga, que a situação é preocupante quando o assunto é criança e internet ou mesmo adolescente e internet pois se nem mesmo os adultos estão preparados? Vejo isso acontecer com freqüência, a falta de preparo pelos pais e por educadores para lidar com as questões que envolvem a internet, pois infelizmente, muitos ainda passam a impressão de que se trata de um espaço além da vida, sem limites, sem regras e sem legislação. Mas afirmo com veemência “Ledo engano” somos responsáveis por todos e qualquer ato seja culposo ou doloso, ou melhor, tenha sido com intenção ou não.

Tem sido cada vez mais freqüente incidentes envolvendo crianças e adolescentes e por conseqüente a responsabilização dos pais ou responsável na esfera civil chegando a ter que indenizar a outra parte e também a própria responsabilização do adolescente pela Vara da Infância e da Juventude. Mas falaremos em tópico específico sobre este assunto.

O fato é que se as escolas, educadores e pais dessa garotada, não assumirem um papel de orientar, mas de forma continuada, afinal educação acontece durante toda a vida, acreditem, teremos no futuro sérios problemas. Portanto, as vezes me pergunto, onde está a ética das pessoas? Temos sim que ser exemplos, não me refiro aos educadores, neste sentido, mas a todas as pessoas, sejam de que profissão for. O pai deve dar um bom exemplo para o filho e não achar bonito o filho publicar fotos na internet, de coleguinhas da escola.

Até onde me lembro a ética traz em sua essência valores da sociedade inerentes a determinada época. Assim, ocorre com várias situações, pois a privacidade, por exemplo, as pessoas da idade média, tinham outro conceito e dimensão de privacidade, aliás hoje temos muito mais privacidade do que naquela época.

Portanto a seguir, falaremos um pouco sobre responsabilidade legal, na seqüência sobre os riscos mais comuns e prevenção.

  1. Responsabilidade Legal

Em meu trabalho com alunos do ensino fundamental e médio, pude perceber que a maioria, se não todos acreditavam que não são responsabilizados por seus atos e muito menos seus pais, quando o assunto é internet.

Mas não é bem assim, veja o exemplo abaixo:


O professor foi vítima dos próprios alunos numa comunidade do site de relacionamento Orkut onde sua imagem é satirizada. Os alunos também chegam a ameaçar furar os pneus do carro de J. e jogar açúcar no tanque de gasolina do veículo.

Sentindo-se ofendido, o professor ingressou em juízo com ação de indenização de danos morais contra os responsáveis pelos adolescentes participantes da comunidade. Na ação, J. sustenta que os filhos dos réus criaram uma comunidade no “site” de relacionamentos “Orkut”, satirizando sua imagem. Aduz que a iniciativa dos menores via “Internet” afronta sua imagem como professor perante os demais alunos e colegas de trabalho, bem como perante a sociedade, causando-lhe constrangimentos de ordem moral. Salienta que todos os filhos dos réus, com exceção de dois, responderam medida sócio-educativa que reconheceu a conduta dos menores como análoga aos crimes de difamação e injúria.

Entre as mensagens trocadas pelos alunos constam ameaças e zombarias ao professor, além de ofensas por meio de palavrões.

….

“Os danos morais causados por divulgação, em comunidade virtual (Orkut) de mensagens depreciativas, denegrindo a imagem de professor (identificado por nome), mediante linguagem chula e de baixo calão, e com ameaças de depredação a seu patrimônio, devem ser ressarcidos. Incumbe aos pais, por dever legal de vigilância, a responsabilidade pelos ilícitos cometidos por filhos incapazes sob sua guarda”, diz a ementa do julgado.


A notícia acima mostra que os pais foram condenados a indenizar, vez que entende-se que houve culpa em vigilando, ou seja, negligencia no dever de vigilância. A legislação é clara, tanto o Código Civil como o Estatuto da Criança e do Adolescente são claros na questão de responsabilidade, portanto, os pais tem sim o dever de “vigiar” , monitorar o que seus filhos fazem na internet, primeiro por zelar pela segurança de seus filhos e segundo para poder orientá-los para que não cometam infrações.

2.1 Como funciona com a criança e com o adolescente?

O ECA considera como criança a pessoa que tenha até 12 anos incompletos e adolescente de 12 a 18 anos. Em princípio, todas as condutas tipificadas no Código Penal como crime para os adultos, é considerado como Ato Infracional para menores de 18 anos. Assim, a criança ao cometer um ato infracional será encaminhada para o Conselho Tutelar que deverá determinar uma das medidas de proteção previstas no art. 101 do ECA que pode ser advertência, encaminhamento para tratamento psiquiátrico, psicológico, programas educacionais, entre outros.

No caso do adolescente, este será encaminhado para a Vara da Infância e da juventude, onde alem da aplicação de medidas de proteção poderá ser aplicado também medidas sócio-educativas, que pode ser prestação de serviços a comunidades, como auxílio em hospitais, palestra em escolas, etc.

Por aqui já foi possível entender que há responsabilidade. Já na esfera civil, os julgados tem decidido como vimos acima, pela responsabilização dos pais, ou responsável.

Esta questão é muito importante que seja levada ao conhecimento dos jovens, pelos professores em sala de aula. Temos que trabalhar a prevenção !

Além da ética, saber o que pode lhe acontecer (responsabilidades) sempre traz bons resultados.

2.2 E a responsabilidade dos pais como fica?

Pelo art. 22 do ECA, que complementa as obrigações elencadas no Código Civil, aos pais, incumbe o dever não apenas de sustento, mas também de guarda e educação de seus filhos. Portanto, não apenas moralmente, mas também juridicamente, os pais tem o dever de zelar pela segurança do filho e muitas vezes isso envolve disciplina e monitoramento. Não há invasão de privacidade entre pai/mãe e filho, mas sim um cuidado necessário. Isto não quer dizer que os pais tenham que ler linha por linha do que seu filho escreve em uma mensagem, mas deve sim, procurar saber com quem ele está conversando, ou que tipos de fotos ele está passando para seus amigos. Além disso, os pais têm também o dever de orientar e cuidar da educação dos filhos e prepará-los para a vida.

Nas palestras que faço para os pais, costumo perguntar 2 coisas:

  1. Você sabe o que é o Orkut e o YouTube?
  2. Você sabe me dizer neste momento se o seu filho está no Youtube? ( ou seja se tem filme dele no youtube)

Menciono o YouTube porque tem sido comum a garotada de 10, 12 anos ( não apenas os adolescentes), filmarem seus colegas e publicar no YouTube, ou ainda, meninas deixar se filmar sem roupa ou ficar na frente da webcam e depois encontrar suas fotos na internet.

2.3 Quanto a responsabilidade dos professores

A responsabilidade do professor vai além da sala de aula, deixando de lado a questão do compromisso com seus alunos, que espero ser inerente a cada um no momento de sua escolha profissional, temos a questão de responsabilidade por nossos atos, seja por ação ou omissão. Portanto, saber que alguma coisa está acontecendo e não tomar providência nenhuma, pode ser perigoso.

Imagine um professor que sabe que um de seus alunos está sendo vítima de boolying, e permanece omissa. Se você enquanto professor não sabe o que é o boolying, aconselho a mudar de profissão. Corra, pois está muito atrasado! Em linhas muito gerai o boolying se caracteriza pela prática de atos de repressão, ameaça, humilhação entre colegas. Não é uma atitude nova, mas a internet sim, é um meio novo pelo qual potencializou os efeitos do boolying, pois seu alcance é muito maior, pessoas pensam se esconder e o que foi publicado, dificilmente sumirá totalmente.

Outro cenário interessante, cuidado com o que escreve para seus alunos em comunidades, blogs, emails etc. Pois presenciei casos de escolas em que o professor ao deixar recado para seu aluno no Orkut, acabou expressando certo carisma e particularmente eu não vi nada de mais, mas os pais do garoto acharam que a professora estava assediando o menino. Não é preciso nem entrar em detalhes não é mesmo? Ele e outros alunos saíram da escola.

Os casos acontecem de monte, mas a maioria dos problemas são resolvidos internamente, é lógico que o poder da mídia pode ser benéfico, mas também destrói um império em algumas horas, bem como os pais nunca tem interesse em expor seus filhos.

Fique atento, pequenos detalhes podem fazer diferença, para o bem e para o mal!

  1. Riscos mais comuns

Com base na prática do dia a dia de meu trabalho com crianças e jovens, posso dizer que os perigos mais comuns são:

- uso irrestrito e ilimitado (não tem hora, nem limite) da internet sem orientação e monitoramento dos pais;

- Emprestar a senha para amiguinho (a) por prova de amizade;

- Tirar fotos e mandar para o namoradinho, que por sua vez espalha para os colegas, ou publica na internet;

- Contar sua vida em comunidades como o Orkut, divulgando onde mora, com quem, o que seus pais fazem, etc

Cito ainda a o desconhecimento do que é certo e errado e de que os pais podem ser responsabilizados por seus atos e que o menor também reponde passando por medidas sócio-educativas, digo isto porque temos dois cenários, um em que a criança ou adolescente é vítima e outra em que por descuido, desconhecimento ou ate mesmo por brincadeira acaba por cometer um ato infracional. Estes são os casos de comunidades criadas para ameaçar, humilhar alguém, por exemplo.

- Como outros países estão tratando o problema?

Outros países estão tomando providências, veja neste link matéria publicada ontem, que menciona uma lei em país estrangeiro, que obriga as escolas que recebem desconto nos serviços de telecomunicações e acesso à internet a ensinar seus alunos sobre segurança online.

O Brasil já está atrasado, e poucas escolas tomaram a iniciativa de incluir em seu currículo o ensino de “Ética e Cidadania Digital”.

3.1 Sobre Segurança na Internet

A segurança depende de um conjunto que abrange a tecnologia e também nossa conduta, mesmo assim, não existe segurança 100% pois a cada dia temos situações novas. Uma das grandes preocupações da internet é a engenharia social, neste entende-se que a pessoa tenta conquistar o outro usuário se passando por alguém que na verdade não é, ou mesmo se passando por uma marca, assim o usuário confia e passa seus dados. No caso de pedofilia é comum adultos se passarem por crianças para conquistar e se aproximar de suas vítimas.

Portanto, não podemos depositar nossa confiança apenas em sistemas de segurança, exemplo software de monitoramento, a segurança está na atenção dos pais, dos educadores e de todas as pessoas, junto com as ferramentas de monitoramento, mas principalmente na orientação passada tanto para a criança quanto para o adolescente.

3.2. O que a escola pode fazer ?

A escola tem um compromisso com a educação do país e a educação nunca será completa se não abordar questões reais e atuais. Se o computador faz, cada vez mais, parte do cotidiano das pessoas, seja na vida pessoal como profissional, a escola não pode ser omissa. Deve não apenas ensinar a utilizar os recursos disponíveis, mas utilizar de forma ética, segura e legal.

Portanto, a escola deve elaborar um código de conduta e uma cartilha de conscientização, assim poderá obter um resultado a curto prazo, mas é preciso ações contínuas para que não caia no esquecimento, pois trabalhar cultura leva tempo, neste caso, para um resultado efetivo é preciso trabalhar disciplina específica, ou seja, dentro de ética e cidadania, deve-se acrescentar a questão digital, com conteúdo específico e atividades online.

Além do mais, a escola deve pensar na prevenção de responsabilidade legal, pois muitas vezes as fotos indevidas, por exemplo, são tiradas dentro do estabelecimento de ensino, ou mesmo, alunos que filma professores para publicar no YouTube.

  1. 4. Ética e Cidadania Digital um dever de todos

Sim, digo de “boca cheia” que o ensino de ética e cidadania digital é um dever de todos, a começar em casa e complementado na escola, mas cabe também aos tios, tias, primos, irmãos, cabe também ao governo, criando programas de Cidadania Digital, capacitando os educadores, que são a semente para disseminar este conhecimento para os alunos. Não podemos exigir o que não foi ensinado, mas se deixarmos como está, sem orientação, a tendência é o aumento de incidentes que podem prejudicar os usuários a qualquer época de sua vida, pois um conteúdo publicado na internet, você nunca saberá onde ele foi parar.

  1. Mensagem da Autora:

O art. 17 do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente garante à criança e ao adolescente o direito ao respeito e a inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, bem como a preservação da imagem e valores.

O art. 18 do mesmo dispositivo traz que é dever de todos zelar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório e constrangedor.

Todos nós cidadãos temos o dever de orientar e zelar pela segurança desses jovens e temos também um compromisso com a educação, seja formal ou informal. Educar para o uso ético e legal, não é um luxo, mas uma obrigação para aqueles que querem viver em harmonia e segurança. Os meios tecnológicos estão diante de nós e com eles seus benefícios e riscos. Não podemos evitar que eles existam, mas podemos evitar que eles se concretizem

 

DOCUMENTO DE ARAXÁ: SEUS PRESSUPORTOS


DOCUMENTO DE ARAXÁ: SEUS PRESSUPORTOS

APRESENTAÇÃO E SINTESE DO DOCUMENTO DE ARAXÁ

APRESENTAÇÃO DO DOCUMENTO DE ARAXÁ

 

   A realização do 1º seminário de Teorização do Serviço Social foi, no Brasil, uma tentativa significativa, de maneira conjunta e internacional, de estudar e teorizar a Metodologia do Serviço Social.

   O 1º Congresso de Serviço Social, em 1947, que adotou um novo conceito para o Serviço Social. O tema da Metodologia do Serviço Social tambem foi objeto de estudo pelas escolas de Serviço Social atravéis das convençôes da Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social atravéis das convençôes da Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social.

   O 1º Seminário de Teorização de Serviço Social foi promovido pelo CBCISS – Centro Brasileiro de Cooperação e Intercambio Serviço Sociais, que convocou um grupo de 38 assistentes sociais, para uma semana de estudos sobre “ Teorização do Serviço Social”. Esse encontro aconteceu de 19 a 26 de março de 1967, em Araxá.

   Esse Seminário se insere dentro de um momento de questionamento por parte do Serviço Social e de busca de uma metodologia, mas adequada de inserção ao desenvolvimento. Balbina Ottoni, analisando esse momento histórico, afirma: “No inicio dos anos 60, vários fatores levaram os assistentes sociais a questionar a natureza e operacionalidade do Serviço Social.

  O Serviço Social no Brasil surge na decáda de 1930 ‘ na sua evolução, o serviço social, como prática institucionalizada, caracterizou-se pelo desempenho de papéis relacionados com disfunçôes manifestadas no nivel do individuo sob formas de desajustamentos sociais e ao mesmo tempo indentificadas ao nivel das estruturas sociais”. Como prática institucionalizada, o Serviço Social se caracteriza pela atuação junto a individuos com desajustamentos familiares e sociais. Tais “desajustametos muitas vesez decorrem de estruturas sociais inadequadas”. “ Obeserva-se que a absorção dos profissionais do, Serviço Social no plano prático prejudica, por vezes, a reflexão sobre as experiencias realizadas e retarda as oportunidades de analise e desenvolvimento de um quadro de referencias que permita a definição de sua natureza, dificultando, também, sua colocação no quadro das ciencias técnicas.

   É necessario uma reformulação do Serviço Social “ em novas linhas de teoria e de ação para melhor servir a pessoa humana e a sociedade. A consciencia do desenvolvimento vem exigindo do Serviço Social novos papeis, daí a necessidade tambem de sua reformulação. “ A partir desse novo enfoque o Serviço Social devera romper o condicionamento de sua atuação ao uso exclusivo dos processos de caso, Grupo e Comonidade, e rever seus elementos constituidos, elaborando e incorporando novos metodos e processos”.

   O trabalho com individuas, grupos, comunidades e populações não é exclusivo do Serviço Social... o que lhe é particular é o enfoque orientando por uma visão global do homem, integrado em seu sistema  social. O documento mostra a importançia do conhecimento da realidade nacional. E diz que esse conhecimento “... é pressuposto fundamental para que o serviço Social nela possa inserir-se adequadamente, neste esforço atual de reformulação teorico-pratica.

FATOS E ACONTECIMENTOS DA HISTORIA BRASILEIRA NA EPOCA DO DOCUMENTO DE ARAXÁ – GOVERNO CASTELO BRANCO.

  Na primeira parte deste trabalho – nos dois primeiros capitulos procuramos analisar o Serviço Social atraveis dos fatos e acontecimentos que antecederam ao documento de Araxá. Fatos e acontecimentos referentes ao contexto economicos e politico do Brasil e os da propria historia do Serviço Social, onde salientarmos dois pontos a influencia do neotomismo e a presença do desenvolvimentismo com enfase na formação tecnica.

   Analisaremos agora o momento. Nesses termos, seu capitalismo é muito pouco autentico e cheio de contradição. Afirmam em todos os documentos que pretendem fortalecer o setor privado emdetrimento do publico, mas nacionalizam empresas hidreletricas estrangeiras e dentro desse contexto historico e ideologico que surge o documento de Araxá.

 

FATOS E ACONTECIMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL NA EPOCA DO DOCUMENTO DEARAXÁ – A RECONCEITUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL

 

    O documento de araxá nasce num momento em que acontecimentos importantes marcam a vida do serviço social latino-americano. Nesse periodo historico, temos o chamado movimento de reconceituação do serviço social. É o que de maneira sintetica explicitaremos em seguida, limitando-nos á analise de aspectos que situam o documento de Araxá dentro do movimento.

   No inicio da decada de 60, grupos de assistentes sociais passam a questionar o serviço social quanto a sua natureza e operacionalidade. Esse questionamento é o da validade do corpo teorico do Serviço Social em face a realidade da America Latina. No Brasil esse questionamento  se fez por um numero significativo de assistentes sociais, que pelos que estavam comprometidos com os programas do governo mas que desehavam reformas, quer por aqueles mais ligados com o povo.

    Esse questionamento começa a consolidar-se com os chamados seminarios passaram a preconizar um Serviço Social latino americano. Mas o que vem a ser a reconceituação do Serviço Social? Significa “ conceituar de novo”, e isto supoe a existencia de conceitos “ velhos” ou que precisam ser revistos ou substituidos.

    De inicio a reconceituação nasceu do desejo de superar o Serviço Social tradicional, que foi transplantado da Europa e dos Estados Unidos, e adequa-lo á realidade de um continente subdesenvolvido e dependente. Nesse começo o trabalho era de descobrir instrumentos de acordo com a nossa realidade sem chegar a um questionamento das estruturas e continuando a ter como referencial teorico o funcionalismo. Mas vai surgir com toda enfase com o documento de Araxa  “ no Brasil, o movimento de reconceptualização surgiu a preocupação com o enfoque teorico.

    O I seminario de Teiorização do Serviço Social, reliazado em Araxá, em março de 1967, é o evento que marca, de forma mais significativa, a presença marcante. A associação Brasileira de Ensino de Servoço Social que atraves de encontros regionais deu respaldo academico as propostas de reconceituação.

    Com referencia a participação da ABESS, assim se expressa Ana Augusta. A nalisando o documento de Araxá, Ander-Egg diz que esse documento é o mais serio que foi sistematizado pela “ geração 65”. É como o movimento, o documento tem como marco ideologico o desenvolvimentismo.

    Ander Egg, referindo-se ao processo de reconceituação se propos e iniciou desde e a partir dos marcos ideologico no documento de referencia”. Continuando sua analise, nos mostras que o grupo iniciador – geração 65 -  se subdivide,a pos Araxá, em dois, da seguinte forma.

 

MYRTES DE AGUIAR MACEDO

 

    A  Assistente Social Myrtes de Aguiar Macedo, em sua dissertação de Mestrado sobre “ Proposiçoes Diagnosticas no quadro da Reconceituação de Serviço Social”, após apresentar todo um quadro referencial, mostra que existem varias tendencias no movimento de reconceituação e que cada um dela possui sua epsitemologia e analisa varios autores e propostas a nivel da reconceituação do Serviço Social”.

   Entre outros analisou a presença do CBCISS, atraves dos documentos de Araxá e Teresopolos. E diz que o Serviço Social é entendido a partir de “ um enfoque orientado por uma visão global do homem, integrado em seu sistema social” e que a pespectiva de analise dos documentos é “ a realidade setorializada: modelo de analise funcionalista”.analizando a reconceituação, Teresa Porzecanski diz que a mesma se divide eme tres caminhos: o tecnismo-positivista, as correntes da educação conscientizadora e o metodo dialetico.

 

TERESA PORZECANSK

 

   A evolução de 1964, como se petenteou, coloca ponto final na mobilização popular e cala as oposições, bem como a universidade brasileira. A revolução passou a enfatizar o aspecto tecnoco, levou a burocratização, á modernização empresarial. Segundo José Paulo Neto, estes pontos relativos á Revolução de 64 colocaram em xeque o Serviço Social tradicional que era assistencialista e idealista.

   Diz o autor que no Brasil o processo de reconceituação se conceituação se concentrou primeiramente na tarefa de adequar a profissão às exigencias institucionalizadas do Estado autoritário e da grande empresa que é seu colario econimico. O processo de reconceituaçãp aceita como dado o quadro politico vigente e procura justificar sua existencia, executando da maneira mas perfeita tecnicamente os passos necessarios para a consecução de finalidades que são propostas por quem monopoliza.

   Com a Revolução, diz Neto, o serviço social brasileiro deixou de fazer incursões mas ampla e se concentrou no aspctos cientifico – profissional. A revelaçaõ cai para o aspecto tecnico e o feche de uma teoria metodologica invade os circulos institucionalozados, se transfere para os seminarios profissionais e se estende para as atividades docentes.

 

DOCUMENTO DE ARAXÁ: ANALISE E CRITICA

 

   Explicitaremos na analise que faremos do Documento de Araxás a posição assumida pela maioria dos participantes do seminario de Teorização, bem como s dos assistentes sociais nesse momento. Para maior clareza historica, queremos afirmar que essa posição não foi a única assumida, pois existiram “ vozes discordantes em relação a ela. No periodo de 60-64, no dizer de safira Ammann, ao lado da postura tradicional” emergem e se difundem movimentos que covebem a participação numa pespectiva critica e que postulam mudanças estruturais na sociedade brasileira.

    Esse grupo de profissionais vsi revendo suas posições e ropendo gradativamente co a visão tradicional do Serviço Social.  Essa situação leva a uma reflexão sobre a pratica profissional, questionando a serviço de quem ela esta, do poder ou do povo, levando pó sua vez a uma analise política da pratica.

   A grande maioria dos assistentes sociais presentes em Araxá assumiram a posição de integração e não de transformação das estruturas e estavam de acordo com o projeto político vigente, apesar de muita vezes desejarem mudanças no sentido de melhorar o sistema.

   O documento se insere numa perspectiva liberal, e que a partir dela o Serviço Social aceita, justificativa e legitima, na pratica e na teoria, uma sociedade capitalista: reconhece as imperfeições  da ordem social vigente, tanto que pretende melhorá-la.

    Balbina Vieira “ o depoimento não oferecia nenhuma idéia nova isto foi uma das criticas mas severas que lhe foi feita. Apresentou, porem, uma síntese do que, no momento, se pensava do serviço social,visto dento de uma visão cientifica e num quadro de referencias da filosofia neotomista.

    “procederemos á analise do documento de Araxá,procurando investigar os conceitos que não estão “ explícitos” ou que estão “ omissos”, bem como através das” tensões “ existentes no documentos. O documento de Araxá,apesar de salientar a necessidade do conhecimento da realidade, de um indispensável diagnostico,não apresenta, nem sinteticamente,uma analise da referida realidade  muito menos as contradições nela existentes

 

 

 


A ORGANIZAÇÃO DA VIDA DE ESTUDOS NA UNIVERSIDADE.Dando início nessa nova etapa de formação de estudo que é o ensino superior o estudante encontra novas exigências e mais especificas para prosseguir nos seus estudos. Para começo diante de tarefas novas que serão impostas a esse estudante logo lhe será solicitado um novo tipo de postura, partindo daí a necessidade de atribuir medidas apropriadas, estar disposto a asssumir essa nova situação e encara-la de frente. No entanto o processo didático e pedagógico continuará assim como a aprendizagem, mas de forma diferente, pois sofrerá mudanças na postura de estudar sem deixar de usar os conhecimentos adquiridos corretamente em seus estudos anteriores. Seguindo de forma certa essas novas bases de estudos o aluno terá certeza de um bom proveito em seu curso. Essa organização se dá em dois périodo, primeiro a conscientização do estudante que na verdade só depende dele, mesmo que seje pelo o seu próprio desenvolvimento intelectual, ou até mesmo pelo desenrolar do processo educacional tudo se transforma em exigência para uma melhor assimilação de aprendizagem, independência relacionado com a estrutura de ensino e dos recursos institucionais que ainda estão presentes. Com isso o desenvolver aprofundado da vida agora cientifícamentre passa a extrair do aluno uma forma de expressar mais critíca e rigorosa. A função do ensino superior é de fornecer instrumentos, armas ou ferramentas para estimular o desenvolvimento criador do estudante. Em segundo o estudante já convencido da real situação deve trabalhar num projeto individual com ajuda de instrumentos que servirá para o dominío e manipulação no desenvolver deste e atráves deles que o aluno passará a organizar e disciplinar sua vida de estudos, que agora a assimilação do conteúdo será feita não mais de forma passiva e mecânica como era anteriormente e sim dispor de material relacionado à sua área específica e saber explora-la adequadamente. No que diz respeito à vida universitária quase sempre tem atividades no ramo prático, de laborátorio ou de campo de acordo com cada habilidade em cada área. Mas para se chegar nesta parte é preciso passar por um fundamento téorico no qual diz respeito o ensino superior é por aí que começa a tarefa de aprendizado na universidade. A assimilação desses conteúdos é feita em sala com a explanação do professor, mas a garantia do estudo é de responsabilidade de cada estudante por isso o mesmo deve dispor de algumas ferramentas de trabalho que no meio superior é fundamentalmente bibliográficos. É de importância destacar que ao começar sua vida de universitário o aluno precisará formar sua própria biblioteca adquirindo de forma bem diversificada livros que serão fundamentais para desempenhar seus estudos, a mesma deverá ser especializada e de qualidade. No início o estudante precisará armazenar-se de textos básicos relacionados com sua área a exemplo de dicionários, algumas revistas especializadas todo esse material de acordo com seu curso específico, mais tarde conforme o avanço do curso adquira textos monográficos referentes à matéria. O universitário deve passar por um embasamento lógico que o inicie ao pensar e cabe ao professor conduzir os alunos a desvendar as vias de aprendizagem, ressaltando esses instrumentos de trabalho tem destaque às revistas que não é utilizado com frequência pelos estudantes superiores, esse instrumento mantên atualizada a informação em determinadas áreas do saber, a função desta é participar da vida intelectual lhe permitindo acompanhar o desenvolvimento de seu curso. É importante estimular aos universitários o interesse em participar de atividades extra-escolares exemplo simpósios, congressos e outros. Também é necessário lembrar que atualmente em nosso meio há instrumentos de trabalho que merecem destaques importantes são eles os recursos eletrônicos, referindo-se à rede mundial de computadores, a nossa internet e a outros recursos desta área que o estudante tem a possibilidade de utilizar. Esses materiais didáticos servem como base para o estudo pessoal do aluno, a maneira mais adequada e fácil de fazer apontamentos é a prática da documentação, procedemos da seguinte forma as informações são adquiridas em aulas expositivas exemplo em debates, seminários e anotadas provisoriamente em um caderno depois o aluno irá analiza-las e corrigi-las para transferir nas fichas de documentação. No entanto à colher essas informações durante a apresentação do professor surgem muitas idéias e a maioria delas acaba ficando esquecido, por isso um detalhe a lembrar é necessário retirar as idéias principais da exposição para facilitar a construção do contexto. Outra prática é através de registro, ou seja, registrando palavras ou expressões que mostram uma idéia fundamental procurando investir na compreensão sem preocupação se faltar texto e sem muitos detalhes tratando-se apenas de objetivos e conceitos precisos. Dessa forma o estudante estará desenvolvendo de maneira inteligente e racional a sua aprendizagem sem se preocupar em decorar os assuntos, pois já está tão por dentro, ou seja, familiarizado que tem o dominío pleno até mesmo para assuntos que a primeira vista parece ser difícil. Esses mesmos metódos podem ser aplicados em outras situações criadas para a participação do universitário para trabalhos em grupos, ou seminários, ou elaborando pesquisas não mudará nada exceto os diferentes objetivos. Com isso se mostra claro a rigidez aplicada a esta proposta de aprendizado que sem dúvida e muito eficiente. Alguns universitários não conseguem se encaixar nessa discplina, por exemplo, os brasileiros, pois em sua maioria não dispõem de tempo na qual seus cursos precisam porque exercem funções profissionais, ou seja, trabalham em paralelo ao curso superior ainda sim se exigi uma organização para o pouco tempo que tem disponível no uso do estudo em casa que será indispensável para o seu desempenho futuramente numa pós-graduação caso esse aluno se interesse ou até mesmo em atividades profissional em relação ao seu curso. O interessante é aproveitar o tempo disponível com ajuda de uma sequência de priorizações, feito essa escala e o levantamento de um tempo disponível é importante dispor de um horário para o estudo em casa, sendo que determinado esse tempo de suma importância cumpri-lo e com rigor construindo um ritmo de estudo. Seguindo essas regras a produtividade torna-se agradável e eficiente, detalhe essas mesmas regras são aplicadas ao estudo em grupo que também deverá dispor de um horário e se reunir para começar a desenvolver o trabalho colocado sem destrações determinando tarefas, etapas e formas de desempenhar o trabalho, visando também um período de intervalo para descanso da mente. Caso esse período ir além de duas horas de estudos é preciso uma pausa de meia hora que será suficiente e não terá alteração no ritmo do estudo, no entanto este intervalo deve ser cumprido da mesma forma dos demais impostos à risca. Tendo a necessidade de maior concentração distribua o tempo de estudo para os outros dias da semana cumprindo sempre o que foi determinado. Para não perder o foco do que foi estudado o aluno sempre deverá rever suas aulas, uma boa organização do estudo possibilitará um maior proveito de aprendizagem. Portanto essas diretrizes que foram apresentadas neste são de grande importancia, pois ajudará e facilitará a organização de uma boa forma de estudo, além disso, estará desenvolvendo para o próprio aluno uma nova postura de aprendizado juntamente com métodos e materiais específico para cada área abordando de forma fácil e prática e estimulando ao estudante uma nova forma de pensar com senso mais crítico, mais lógico, mais criativo despertando seu interesse por esse novo mundo que estará participando agora que é a universidade, ou melhor, o ensino superior.

Sinopse - Metodologia e Ideologia do Trabalho Social - Vicente de Paula Faleiros


 

Sinopse - Metodologia e Ideologia do Trabalho Social - Vicente de Paula Faleiros

Este livro é uma das contribuições mais importantes ao movimento de reconceituação do Serviço Social latino-americano. Nesta edição brasileira, preparada pelo próprio autor, o texto original espanhol foi minuciosamente revisto, modificado e ampliado. A obra não fica no criticismo vazio, mas oferece alternativas ao trabalho institucional-profissional de assistentes sociais, educadores, médicos, psicólogos e outros interessados nas “relações sociais” enquanto campo de intervenção.

Metodologia e Ideologia do Trabalho Social - Vicente de Paula Faleiros

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o autor faz uma critica reflexiva acerca de todos os processos que envolveram a trajetória do Serviço Social, as crises da profissão na busca constante por uma identidade profissional, suas aplicações teórico-metodológicas e dificuldades no enfrentamento da realidade social. A partir de considerações históricas, traça um quadro de comportamento do serviço social, para a verificação das problemáticas apresentadas e os posicionamentos profissionais para seu enfrentamento. Ora um Serviço Social à serviço do Estado, como contentor dos ânimos do trabalhador; ora o profissional posicionado politicamente rompendo com esse sistema; ora um período reflexivo que possibilitou a criação teórica e científica (saber profissional) e ora a preocupação com o saber-fazer, aliando teoria e prática . Assim, após essa visualização geral propõe a criação de estratégias de ação profissional, sem desmerecer a historicidade e a teoria, mas considerando as transformações sociais e a realidade brasileira atual diferida de outras. Seria novamente o caso de repensar o Serviço Social, não mais considerando a luta de classes burguesia x proletariado, que marcou o início de real intervenção do profissional na sociedade, mas o contexto mais atual de relações entre dominantes x dominados, que significa também uma relação de força e poder. Trata-se de uma estrutura que emerge das mais variadas contradições e valores envolvendo diferentes interesses e fragilizando àqueles que se encontram à margem dessas competições. Essa fragilidade emocional, física, psicológica e financeira, traz conseqüências para a vida dos indivíduos e suas relações familiares, impulsionando níveis de desigualdade e criminalidade que afetam de forma monstruosa nossa sociedade. É nesse contexto que o Serviço Social é chamado a intervir. As diversas faces das dificuldades sociais sejam elas econômicas, culturais, conflitantes com a lei, abusos de várias formas contra as pessoas e dignidade humanas, aparecem cotidianamente e necessitam do apoio desse profissional, habilitado para esse fim.

 


Mas não se pode reduzir sua atuação somente na identificação e encaminhamentos desses indivíduos aos órgãos competentes, é preciso analisar criticamente essa realidade geradora do conflito e buscar formas de intervenção para sua transformação. Embora da mesma profissão, muitos assistentes sociais se diferem ideológica e praticamente uns dos outros. Alguns trabalham para Instituições e se incumbem de suas tarefas de acordo com as normas que a mesma lhe propõe sem fazer uma análise conjuntural dessa ou daquela situação, outros porém vão mais adiante e possuem habilidades e estratégias que transformam significativamente a realidade. O autor exemplifica falando sobre o livro escrito por Paulo Collen (1987) sobre sua própria experiência enquanto interno da FEBEM, onde os Assistentes Sociais que o atenderam tiveram comportamentos diferentes, de um lado uma profissional estratégica, hábil e articulada e de outro um profissional que com posicionamento mecânico e alienado, projetando-se nos resultados positivos e negativos que tais intervenções lhe causaram. Essa é a estratégia em serviço social. Através da ação, conseguir realmente modificar uma realidade, transformar o sujeito em ator e autor de sua própria história. Não são atitudes fáceis, os obstáculos são muitos e o próprio sistema se encarrega de dificultar, mas essa habilidade vai fazer a diferença nas relações e no processo de legitimação da profissão.

Publicado em: 18janeiro, 2008

 

 

PLATÃO, Apologia de Sócrates. Tradução Jean Melbille. 1. Reimp. São Paulo. Martin Claret, 2004. Pag.(57- 90)

 

 

 

Apologia de Sócrates

 

“[...] cidadãos atenienses, [...]; o fato de eles discursarem com tanta convicção fez-me esquecer de mim mesmo”. [...] Ficar alertas para não serdes enganado pela minha habilidade de orador. [...] O mérito é dizer a verdade. ’’ p. 57-58

 

 

“[...] Porque muitos de meus acusadores tem vindo ate vos há já bastante tempo,[...]. Mais temíveis porem são os primeiros , senhores, os quais tomando a maior parte de vós, desde crianças, vos persuadiam e me acusavam falsamente,[...].

[...] Ora bem, cidadãos atenienses, devo me defender-me e empenhar-me em eliminar da vossa mente, em tão breve hora, a má opinião acolhida por vós durante longo tempo. [...]’’ p. 58-59

 

 

“[...] O que diziam os caluniadores ao caluniar-me. [...] Ata da acusação, Sócrates comete crime, investigando indiscretamenteas coisas terrenas e as celestes, e  tornando mais forte a razão mais débil, e ensinando aos outros.

[...] Perguntai-vos uns aos outros se qualquer de vós me ouviu tocar nesses assuntos, por pouco que fosse, e então reconhecereis que tais são, do mesmo modo, as outras mentiras que dizem de mim. ’’ p. 59-60

 

 

“Na realidade, nada disso tem fundamento, e, se tendes ouvido de alguém que eu instruo dinheiro com isso, também não é verdade”.

[...] No entanto o que é certo é que também eu me sentiria altivo e orgulhoso, se soubesse tais coisas; o fato é cidadãos atenienses, que não sei. ’’ p. 60-61

 

 

“[...] Ouve-me. Talvez possa parecer a alguns de vós que eu esteja gracejando; entanto não tenhais dúvida, eu vos direi toda a verdade. Porque eu, cidadãos atenienses, se conquistei esse nome, foi por alguma sabedoria.

Que sabedoria é essa? Aquela que talvez, propriamente, a sabedoria humana. É em realidade, arriscando se sábio nela: aqueles de quem falávamos ainda há pouco seriam sábios de uma sabedoria mais que humana, ou não sei dizer, pois certamente a desconheço. [...] p. 61

 

 

“Avaliai bem a razão por que digo isso: estou para demonstrar-vos de onde nasceu a calúnia. [...]Fui a um daqueles detentores da sabedoria, com a intenção de refutar, sem duvida, com tais provas, opor-lhe a minha resposta: Este é mais sábio que eu, enquanto tu dizias que sou eu o mais sábio.[...]Procurei demonstra-lhe demonstrar-lhe que ele parecia sábio sem ser.Daí veio o ódio dele e de muitos dos presentes contra mim.[...]” p. 62

 

 

“Depois prossegui sem mais me deter, embora vendo, amargurado e temeroso, que estava sendo odiado; mas, também, me parecia dever dar mais valor à resposta do Deus. [...] E então cidadãos ateniense, já que é preciso dizer averdade, me aconteceu o seguinte:procurando segundo o critério do Deus, pareceu-me que os que tinham mais reputação eram os mais desprovidos, os outros, considerados ineptos, eram homens mais capazes, quanto à sabedoria. [...] agora, cidadãos atenienses, eu me envergonho de vos dizer a verdade; também devo manifestá-la. [...]” p. 62-63

 

 

“[...] Outros poetas realmente, eram dotados de conhecimentos que eu não tinha e eram muito mais sábios do que eu.[...] Assim, eu ia interrogando a mim mesmo, a respeito do que disse o oráculo,se devia permanecer como sou, nem sábio, nem ignorante como eles.[...]” p. 63-64

 

 

“[...] Por isso, ate agora procuro e investigo segundo a vontade do Deus, se algum dos cidadãos e dos forasteiros me parece sábio; e, quando não, indo em auxilio do Deus, demonstro-lhe que não é sábio.[...]Sócrates introduzindo parte para sua defesa, respondendo à duasacusações distintas.A primeira, mais antiga e ampla(temendo mais esta do que asegunda) e a segunda, atual, feita por três acusadores presentes no tribunal. Entre estes, surgiram-se contra mim Meleto, Anito e Líncon. [...]” p. 64-65

 

 

“[...] Sendo “a mais antiga”, a primeira, um compêndio de queixas contra sua conduta queforam acumuladas através dos anos, na qual é tido como um criminoso por conta desuas “visões” difundidas. [...]” p. 65-66

 

 

“[...] Declarando tais acusações proferidas falsas, defende-se citando acomédia de Aristófanes. [...] As Nuvens, na qual diz poder andar pelo ar, o que não contribuiu muito para sua, já, má reputação.

[...] Ainda dizia-se, outro rumor, que este investigava matérias sobrenaturais, da qual sedefendeu dizendo nunca ter se interessado por ciências práticas(apesar de admirar físicos, não considerando-os maldosos em seu trabalho) e sim que suas maiores preocupações versavam sobre a conduta moral e a felicidade da alma.[...]” p. 66-67

 

 

“[...] Depois de dito isto, concentra-se em acusações mais específicas por Meleto, seu principal acusador, interrogando-o sobre a acusação de que seria um demônio, um ateu que procurava criar os seus deuses. Fazendo-o de forma simples e direta, faz com que Meleto confunda seu próprio discurso, tornando-se evidente, para todos os presentes no tribunal, que este não tinha formulado bem suas acusações e nem seus possíveis desdobramentos. [...]Meleto confunde-se novamente ao parecer acusar Sócrates de ser ateu, como de inventar novos deuses. [...]” p. 67-68

 

 

“[...]Feito isto, eu parto para outro importante questionamento, julgando o próprio que deveria alterar seu estilo de investigação e ensino para com que afastasse sua execução.[..] Comparando sua situação com seu comportamento notório em campos de batalha, em tempos que servia o exército, assim sendo julga a morte preferível a desgraça, escolhendo viver de acordo com seus ideais e deuses, do que fazer o contrário e descumprir a sua missão de filósofo. [...]” p. 68-69

 

 

“[...] Tendo que a verdadeira desgraça seria descumprir tudo o que acreditava, desobedecendo aos deuses, para salvar sua própria existência,tem como caminho escolhido, aquele que o conduziria à verdade, à sabedoria e ao“maior aperfeiçoamento da alma. [...] Assim, não desonrando seus princípios,jamais faria outra coisa, ainda que houvesse mil vezes e aos Atenienses dizendo que oabsolvam ou não, mas que por certo não. [...]” p. 69-70

 

 

“[...]Ainda diz aos seus discípulos, àqueles que se sentissem corrompidos, que se juntassem a Meleto e Anito no dia de sua acusação. [...] Porém, entre seus alunos estavam os seusmelhores amigos e defensores, visto que vários estavam ali em seu favor e assistência. [...] p. 70-71

 

 

“[...] Mas, apesar deste tipo de assistência, recusava a presença de sua família, por julgar quea simpatia desta poderia “ajudá-lo” na opinião dos juízes(como uma forma deconcorrência desleal), tendo como única verdade a sua defesa.[...]” p. 71-72

 

 

“[...] Surpreendido com tantos votos a seu favor, após o fim de seu discurso,tantosvotos que poderia propor pena alternativa segundo as leis ateniensesmultas, ostracismo, etc.[...] Prefere, e acaba por requerer ao tribunal, que lhes apresente uma sentença naqual seja alimentado pelo estado, rejeitando as óbvias penas alternativas, visto quededicou a sua vida à educação dos jovens e ao serviço público. [...] p. 72-73

 

 

“[...] Mesmo se me dissésseis; Sócrates, agora não damos crédito a Anito, mas te absolveremos, contanto que não te ocupes mais dessas tais pesquisas e de filosofar, porque, se fordes apanhado ainda a fazer isso, morrerás; se, pois, me absolvêsseis sob tal condição, eu vos diria. [...] Cidadãos atenienses, eu vos respeito e vos amo, mas obedecerei aos deuses em vez de obedecer a vós e enquanto eu respirar e estiver na posse de minhas faculdades, não deixarei de filosofar e de vos exortar ou de instruir cada um, quem quer que seja que vier à minha presença. [...]” p. 73-74

 

 

 

“[...] È possível que vós, irritados como aqueles que são despertados quando no melhor do sono, repelindo-me para condescender com Anito, levianamente me condeneis à morte, para dormirdes o resto da vida, salvo se o Deus, pensando em vós mandar algum outro. [...] Que eu seja um homem cujaqualidade é de ser um dom feito pelo Deus a cidade, podereis deduzir o seguinte: não é natural do homem eu ter descuidado das minhas coisas, resignando-me por tantos anos a me descuidar dos negócios domésticos para acudir sempre aos vossos, aproximando-me sempre de cada um de vós em particular como um pai ou um irmão velho, persuadindo-vos a vos preocupardes com a virtude.[...] p. 74-75

 

 

 

Poderia talvez parecer estranho que eu, andando daqui para lá, me cansasse dando em particular esses conselhos, e depois, em público,não ousasse, subindo diante do vosso povo, aconselhar a cidade. [...] A causa disse é a que em vaias circunstâncias eu vos disse muitas vezes: a mim me acontece qualquer coisa de divino e demoníaco; isso justamente Meleto escreveu também no ato da acusação zombando de mim. [...]”p. 75-76

 

 

“[...] Disso vos poderei dar grandes provas, não palavras, mas o que prezei: fatos. Ouvi, pois, de minha boca, o que me aconteceu, para que não saibais que não há ninguém a quem eu tenha feito concessões com desprezo da justiça e por medo da morte; e que, ao mesmo tempo, por essa recusa de toda concessão deverei morrer. Dir-vos-ei talvez coisas comuns, masverdadeiras. [...] E, embora osoradores estivessem prontos a me acusar e me prender, e vós os encorajásseis vociferando,mesmo assim, achei que me convinha mais correr perigo com a lei e com o que era justo, do que,por medo do cárcere e da morte, estar convosco, vós que deliberáveis o injusto.[...]” p. 76-77.

 

 

 

“[...] Cidadãos atenienses, eu já vos disse toda a verdade: é porque tomam gosto em ouvir examinar aqueles que acreditam ser sábio e não o são; não é de fato coisa desagradável. E,como disse, foi o deus que me ordenou a fazê-lo, com oráculos, com sonhos, e com outros meios,pelos quais algumas vezes a divina a vontade ordena a um homem que faça o que quer que seja.[...]Tudo isso, cidadãos atenienses, é verdade e fácil de provar. Com efeito, suponhamos que, entre

os jovens, há alguns que estou corrompendo e outros que já corrompi: seria aparentemente inevitável que alguns destes, quando tiveram mais idade, compreendessem que eu lhes tinha alguma vez aconselhado uma ação má - e hoje deveriam estar aqui para me acusar e vingar-se de mim.[...]” p.77-78

 

 

 

“Assim seja, ó cidadãos: é mais ou menos isso que eu poderei dizer em minha defesa ou qualquer coisa semelhante”. Provavelmente, porém, algum de vós poderá ficar encolerizado, recordando-se de si mesmo. Sustentou-se uma contenda embora em menor proporção do que essa minha, pediu e suplicou aos juízes, com muitas lágrimas, trazendo aqui os filhos, e muitos outros parentes e amigos, a fim de mover a piedade ao seu favor.[...] Eu não farei certamente nada disso, embora vá ao encontro, como se pode acreditar, do extremo perigo. A minha impassibilidade, cidadãos atenienses. diante da minha condenação, entre muitas razões,deriva também desta: eu contava com isto, e até, antes me espanto do número dos dois partidos. [...]” p. 78-79

 

 

“[...] Por mim, não acreditava que a diferença fosse assim de tão poucos, mas de muitos, pois, sesomente trinta fossem da outra parte, eu estaria salvo (nota: dos 501 juízes, 280 a favor e220 contra).De Meleto, ao contrário, estou livre, me parece ainda, e isso é evidente a todos: se AnitoeLicon não viessem aqui acusar-me Meleto teria sido multado em mil dracmas, não tendo obtido oquinto dos votos.[...] Ainda sim, tendo a sugestão de que poderia acabar. [...]” p. 79-80

 

 

“[...] Apenas dizendo ao tribunal que vigia-se seus filhos, para que nãocrescessem tornando-se materialistas, pretensiosos ou inúteis(castigando-os, casocontrario), sendo este seu último e único pedido,completando assim sua defesa.Finalizando, diz ao tribunal que não se alegre por ter livrado Atenas de um perturbador, pois sua execução fará mais mal aos próprios, do que à vítima.Assimsendo, conclui que evitar sua morte seria o mesmo que viver sem virtude.[...] Eles pedem, pois, para mim, a pena de morte. Pois bem, atenienses, que contraproposta vos farei eu? A que mereço, não é assim? Qual, pois? Que pena ou multa mereço eu, que em toda a vida não repousei um momento, mas descuidando daquilo que todos tem em grande conta, a aquisição de riquezas e a administração doméstica.[...]” p. 80-81

 

 

“[...] Estando, pois, convencido de não ter feito injustiça a ninguém, estou bem longe de fazê-la, a mim mesmo e dizer em meu dano ,que mereço um mal, e me assinalar um de tal sorte. Que devo temer? É possível que eu não tenha de sofrer a pena que me assinala Meleto e que eu digo ignorar se será um bem ou mal? E, ao contrário disso, deverei escolher uma daquelas que sei bem ser um mal, e propor-me essa pena? O cárcere? E por que devo viver no cárcere, escravo do magistrado que o preside, escravo dos Onze. [...]” p.81-82

 

Seria, pois, o exílio que deveria propor como pena para mim? É possível que vós me indiquei essa pena. [...] Ah! eu teria verdadeiramente um amor excessivo à vida se fosse irrefletido ao ponto de não ser capaz de refletir nisso: vós que sois meus concidadãos acabastes por não achar meios de suportar meus sermões; estes se tornaram para vós um fardo bastante pesado e detestável para que procurei hoje livrar-vos, serão os meus sermões mais fáceis de suportarpara os outros? Muito longe disso, atenienses! [...]”p. 82-83

 

 

 

“[...]Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro. Se, de fato,não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente.  [...]” p. 83-84

“[...] E não seria sem deleite, me parece, confrontar o meu com os

seus casos, e, o que é melhor, passar o tempo examinando e confrontando os de lá com cá, os últimos dos quis tem a pretensão de conhecer a sabedoria dos outros, e acreditam ser sábios e não são. [...]” p. 84-85

 

 

“[...] A que preço, ó juízes, não se consentiria em examinar aquele que guiou o grande exército a Tróia, Ulisses, Sísifo, ou infinitos outros? Isso constituiriam inefável felicidade. Com certeza aqueles de lá mandam a morte por isso, porque além do mais, são mais felizes do que os de cá, mesmo porque são imortais, se é que o que se diz é verdade. [...] p. 85-86

 

 

 

“[...] Mas também vós, ó juízes, deveis ter boa esperança em relação à morte, e considerar esta única verdade: que não é possível haver algum mal para um homem de bem, nem durante sua vida, nem depois da morte, que os deuses não se interessam do que a ele concerne; e que, por isso mesmo, o que hoje aconteceu no que a mim concerne, não é devido ao acaso, mas é a prova de que para mim era melhor morrer agora e ser libertado das coisas deste mundo. Eis também a razão por que a divina voz não me dissuadiu, e por que, de minha parte, não estou zangado com aqueles cujos votos me condenaram, nem contra meus acusadores. [...] p. 86-87

 

 

“[...] Por isto é justo que sejam censurados. Mas tudo o que lhes peço

é o seguinte: Quando os meus filhinhos ficarem adultos, puni-os, é cidadãos, atormentai-os domesmo modo que eu os vos atormentei, quando vos parecer que eles cuidam mais das riquezas oude outras coisas do que da virtude. [...] p. 88

 

“[...] E se acreditarem ser qualquer coisa não sendo nada,reprovai-os, como eu a vós: não vos preocupeis com aquilo que não lhes é devido. [...] p. 89

 

“[...] E se fizerdes isso, terei de vós o que é justo, eu e os meus filhos. Mas, já é hora de irmos:eu para a morte, e vós para viverdes. Mas, quem vai para melhor sorte, isso é segredo, exceto para Deus.” P. 90

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão

 

 Apologia de Sócrates é um texto dividido em três partes. Na primeira, Sócrates examina e fala das acusações sobre ele, retratando sua própria vida, procurando mostrar o verdadeiro significado de sua missão. Dirige aos homens palavras que contestam o enriquecimento sem virtude, afirmando que a riqueza deverá vir através da virtude.

Em outro momento de sua defesa, Sócrates fala com um de seus acusadores, deixando-o bem embaraçado quanto ao significado da acusação corromper a juventude. Demonstra que está sendo acusado por Meleto de algo que este mesmo não sabe ao certo o que significa.

Em nenhum momento de sua defesa, segundo o relato platônico, Sócrates apela para a bajulação ou tenta captar a misericórdia daqueles que o julgavamlinguagem de quem fala em nome da própria consciência e não reconhece em si mesmo nenhuma culpa.

Parece-me não ser justo rogar ao juiz e fazer-se absolver por meio de súplicas; é preciso esclarecê-lo e convencê-lo.Talvez justamente por essas manifestações de altaneira independência de espírito, Sócrates foi condenado.

Após a condenação, Sócrates foi convidado a fixar sua pena.Mas Sócrates, ignorando qualquer sugestão de pena mínima ou mesmo multas, se deixa condenar a morte.

Segunda parte, Sócrates não deixa saída para os juízes. Ou a pena de morte, pedida por Meleto, ou ser alimentado no Pritaneu, enquanto fosse vivo, como herói ou benemérito da cidade.

 A terceira parte é a transcrição das últimas palavras de Sócrates dirigidas aos que o condenaram. Diz, gemendo e lamentando-se. Não foi por falta de discursos que fui condenado, mas por falta de audácia e porque não quis que ouvísseis o que para vós teria sido mais agradável, coisas que considero indignas de mim, coisas que estás habituado a escutar de outros acusados. Nesta altura, Sócrates começa a fazer comparações com a morte, mais difícil que evitar a morte, é evitar o mal.

 Dizia que morte pode ser uma dessas duas coisas. Ou aquele que morre é reduzido ao nada, e não tem mais qualquer consciência, ou então, conforme ao que diz, a morte é uma mudança, uma transmigração da alma do lugar onde nos encontramos para outro. Se a morte é a extinção de todo sentimento, assemelha-se a um desses sonos nos quais nada se vê, mesmo em sonho, então morrer é um ganho maravilhoso. Mas eis a hora de partimos, eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe, exceto o deus.

Mas o querido Sócrates teve de esperar trinta dias para sua execução, pois a cidade estaria em festa pela chegada de Teseu que vencera o Minotauro.

Amigos lhe imploram para que ele fugisse na véspera de sua execução, mas o mesmo disse. A única coisa que importa é viver honestamente, sem cometer injustiças, nem mesmo em retribuição a uma injustiça recebida.